Uma década bem jogada.
Numa indústria obcecada pelo ritmo constante de lançamentos, Rihanna fez o contrário: parou. Dez anos depois de ANTI, essa decisão não parece uma pausa, mas sim uma estratégia sustentada. Estas são as razões pelas quais funcionou.
1. Um álbum que fechou tudo
Tudo começa com ANTI, lançado a 28 de janeiro de 2016. Não apenas por ser o último álbum de Rihanna até à data, mas porque desde o início foi entendido como um disco diferente dentro da sua carreira, destinado a mudar as regras do jogo na indústria. Meios como Billboard e Rolling Stone apontaram então para uma viragem clara em direção a um som menos imediato e mais pessoal, afastado do modelo de êxitos consecutivos que tinha definido os seus trabalhos anteriores. Não era um álbum pensado para dominar a rádio durante meses, mas para marcar um ponto final.
O tempo deu-lhe razão. Segundo a Billboard, ANTI ultrapassou as 500 semanas no Billboard 200, um feito pouco comum mesmo para discos considerados clássicos. Não é um álbum que viva da nostalgia ou de aniversários: continua a ser ouvido porque funciona por si só. Aqui está a chave. ANTI fechou uma etapa sem deixar sensação de vazio. Fechar bem foi o primeiro passo que permitiu a Rihanna afastar-se sem perder posição.
2. Dez anos sem explicações
Depois de ANTI, Rihanna não fez o que é habitual no pop: anunciar que já estava a trabalhar no próximo projeto. Não prometeu datas, não falou de uma “nova era”, nem manteve expectativas com avanços. Simplesmente deixou de explicar.
Em entrevistas ao longo destes anos, Rihanna evitou definir prazos ou confirmar projetos discográficos, deixando claro que não trabalhava sob pressão externa nem de calendários da indústria. Não houve narrativa de “o álbum está a caminho”, porque essa promessa nunca foi construída.
3. Continuar na música através do cinema
Durante estes dez anos, Rihanna não deixou de lançar música por completo, mas só o fez quando o contexto o justificava. O cinema foi um desses espaços. Em 2022, interpretou Lift Me Up para Black Panther: Wakanda Forever, a sua primeira canção a solo em anos, concebida como uma homenagem dentro do filme e não como o início de uma nova fase musical.
Esse padrão repetiu-se noutros trabalhos ligados ao cinema. Para além de Born Again, também criada para Black Panther: Wakanda Forever, anos antes gravou Sledgehammer para Star Trek Beyond. Em todos os casos, tratou-se de canções associadas a um filme específico, sem anúncios posteriores nem promessas de álbum.
4. Usar o Super Bowl sem lançar música
Em 2023, Rihanna foi a artista escolhida para atuar no Super Bowl Halftime Show. O Super Bowl é a final do campeonato de futebol americano nos Estados Unidos e um dos eventos televisivos mais vistos do mundo. O espetáculo do intervalo costuma ser reservado a estrelas como Beyoncé, Madonna, Prince ou Usher.
Rihanna subiu a esse palco sem um novo álbum para promover, algo pouco habitual num espetáculo muitas vezes usado para lançar novas fases. Além disso, durante a atuação confirmou que estava grávida, um detalhe que não tinha sido anunciado previamente e que foi destacado como um dos grandes momentos da noite.
Aparecer no maior palco do entretenimento mundial sem necessidade de promoção e, ainda assim, dominar a conversa é uma das provas mais claras de que continua a ser um ícone do pop.
5. Mudar a indústria da beleza com a Fenty Beauty
Depois da música, a artista concentrou grande parte da sua energia na Fenty Beauty, a marca de maquilhagem que lançou em 2017. Desde o início, muitos meios sublinharam que não se tratava de mais uma marca com um rosto famoso, mas de um projeto pensado para responder a uma lacuna que o mercado ignorava há anos.
A Fenty Beauty destacou-se pela sua ampla gama de tons de base, pensada para diferentes cores de pele. Algo que hoje parece normal, mas que na altura não era. Analistas do setor apontaram que esta abordagem levou muitas marcas tradicionais a rever os seus catálogos e a alargar a oferta. Não se tratou apenas de emprestar a imagem: Rihanna começou a mudar uma indústria para lá da música.
6. Mudar a ideia de corpo com a Savage X Fenty
Depois da Fenty Beauty, Rihanna aplicou a mesma lógica à lingerie com a Savage X Fenty, lançada em 2018. Desde o início, a marca afastou-se do modelo clássico do setor, que durante anos promoveu um único tipo de corpo e uma ideia restrita do que é “desejável”.
A Savage X Fenty apostou em mostrar corpos diferentes — em tamanho, forma e idade — de forma visível e constante, não como exceção. Os seus desfiles, transmitidos em streaming e comentados por meios como a Vogue, contribuíram para normalizar uma representação mais ampla do corpo num espaço onde isso não era comum.
Uma parte essencial desta estratégia foram os Savage X Fenty Show, transmitidos na Prime Video a partir de 2019. Apresentados como espetáculos completos, combinaram moda, música e performance, contando com artistas convidados como Rosalía, além de outros nomes do pop e do R&B. Os vários volumes permitiram que a mensagem da marca chegasse a um público muito mais amplo do que o de um desfile tradicional.
7. Estar na moda sem viver da moda
Rihanna nunca se desligou da moda, mas na última década mudou o seu papel dentro dela. Passou de figura que veste marcas ou protagoniza campanhas para ocupar posições de decisão. O primeiro passo foi a sua nomeação como diretora criativa da Fenty x Puma, anunciada em 2014.
O movimento mais ambicioso surgiu em 2019, quando lançou a Fenty em parceria com a LVMH, tornando-se a primeira mulher negra a liderar uma casa de moda dentro do grupo. A operação foi especialmente significativa por se tratar da primeira marca criada de raiz pela LVMH em décadas, um gesto que a Business of Fashion destacou como pouco habitual na indústria do luxo. Embora a marca tenha encerrado em 2021, a mensagem já estava clara: Rihanna não precisava que o projeto fosse permanente para deixar marca. Demonstrou que podia entrar e sair da moda a partir de uma posição de poder.
Após o encerramento da Fenty, Rihanna continuou presente no circuito da moda. A sua presença em semanas de moda como Paris mantém-se regular, tanto na primeira fila como em eventos-chave, mantendo uma relação fluida com o sistema sem necessidade de liderar uma marca própria. É nesse contexto que se entende também a sua ligação à Dior, com a qual colaborou como imagem — tornando-se a primeira mulher negra a fazê-lo — e com a qual continuou a associar-se de forma pontual.
8. Mudar prioridades sem desaparecer
Na última década, Rihanna também transformou a sua vida fora do trabalho. Foi mãe por duas vezes, formou uma família com A$AP Rocky e falou abertamente sobre a importância de proteger o seu tempo e a sua saúde mental. Em entrevistas à Vogue, refletiu sobre a necessidade de abrandar e dedicar mais tempo a si própria.
Desde que o casal tornou pública a relação em 2021, Rihanna integrou esta nova fase na sua vida pública sem a transformar num espetáculo constante. The New York Times assinalou como a sua presença pública se tornou mais seletiva, centrada em momentos específicos e não numa exposição contínua.
9. Fazer do tempo uma vantagem
Durante estes dez anos, Rihanna não tentou acompanhar o ritmo atual do pop nem adaptar-se a todas as novas tendências. Também não saturou a sua imagem nem forçou um regresso musical para se manter visível. Pelo contrário, usou o tempo a seu favor.
Enquanto outros artistas precisam de lançar constantemente para não desaparecer, ela demonstrou que, quando a posição é sólida, parar também pode ser uma forma de avançar. A sua música, as suas marcas e as suas aparições pontuais continuaram a falar por si.
10. Um regresso este ano?
A possibilidade de Rihanna lançar nova música este ano voltou a ganhar força nas redes sociais. Embora a artista não tenha confirmado nada oficialmente, o rumor foi suficiente para reabrir a conversa entre fãs e meios de comunicação. Não seria a primeira vez. Na última década, o seu regresso foi anunciado, adiado ou desmentido em várias ocasiões. Por agora, não há confirmação e o calendário permanece em aberto.
O que é certo é que, dez anos depois de ANTI, Rihanna não está em pausa. Está a jogar no longo prazo. E, para já, está a ganhar.
“LET’S GOOOO BABY”: Rihanna celebra a artwork de Don’t Be Dumb, de A$AP Rocky.
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